Comentário do filme: Head
Nas primeiras imagens, Head monta o cenário e apresenta seu personagem (uma espécie de robô meio criança, com cauda de dinossauro) de forma bastante clássica, em uma atmosfera que lembra vagamente o mundo do primeiro mangá. Mas rapidamente percebemos que algo está errado com a ação. Este, centrado no robô, acumula sem explicação o espetáculo de processos de transformação (ingestão, evacuação, sopro, destilação, etc.), que se repetem ou respondem entre si em ecos, acentuando a ideia de circularidade, até que as últimas imagens se sobreponham às do início. É, portanto, uma espécie de coreografia, repetitiva a ponto de ser quase hipnótica, cujo símbolo poderia ser o signo tradicional dos barbeiros americanos (exportado para o Japão, onde o encontramos muito), como é mostrado de passagem no filme: o cilindro espiral.
Se esta coreografia não é imediatamente perceptível é porque Head está repleto de pequenos detalhes que chamam a atenção e testemunham o prazer dos autores em criar um universo cartoon híbrido, imbuído da inventividade dos primórdios da banda desenhada. Quase poderíamos dizer que Head é o cruzamento entre as viagens cômicas abstratas de George Herriman e os mangás de Osamu Tezuka – Krazy Kat encontra Astro, o pequeno robô. A essas referências em Head soma-se a mistura entre desenho à mão (reivindicado nos créditos) e animação digital. Objectos macios e formas nítidas, orgânicas e mecânicas, a cores ou a preto e branco, dividem-se, cruzam-se e criam um universo fantasioso e lúdico.
Head é de facto um jogo gráfico, mas não um jogo fechado: um daqueles que comunicam a possibilidade de uma renovada invenção do desenho.
Questionar o filme: Head
Compreender a história, o tema, expressar sensibilidade e desenvolver o espírito crítico.
1Quem é o personagem principal?
Um cachorro.
2Por quais lugares ele passa?
Um espaço preto vazio, uma porta e depois uma escada que conduz, através das nuvens, a um trampolim. O cachorro mergulha em uma tigela de sopa e pousa na mesa de um restaurante japonês. Os pauzinhos, o sushi, o edamame (soja japonesa) são os elementos que permitem perceber que este é um restaurante japonês. Em um avião e novamente no restaurante. Um foguete no espaço, depois um trem japonês (podemos ver o texto no trem. Estação de Shibuya (uma das maiores estações de Tóquio). Edifícios, certamente em Tóquio, depois o interior de um apartamento. Uma rua.
3Como o personagem principal se move?
Ele se teletransporta de porta em porta.
4Imagine o resto da história. Qual será o próximo mundo imaginário?
Resposta/debate aberto
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Criado com o apoio do Ministério da Educação Nacional e do CNC.
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