Atividade educativa em torno do curta-metragem Ahco On The Road
Questionando os dispositivos plásticos de representação e apresentação: a narração visual, a perspectiva, o enquadramento, tendo em conta o espectador e o efeito desejado

Ahco On The Road © Yellowshed
TítuloAhco On The Road
TemaAnimais, Relacionamento familiar, Amor materno
Gênero e palavras-chaveNarrativa, bebê, elefante, floresta, viagem
Idade (para filme)6-11 anos
Duração08 min 27 s
RealizaçãoSoyeon Kim
MúsicaKaren Tanaka
ProduçãoYellowshed (États-Unis, 2013)
Análise da linguagem cinematográfica do filme: enquadramento expressivo e focagem.
Para um filme de animação de 8 minutos que conta uma história muito simples, Ahco na estrada mobiliza um grande número de técnicas de cinema: uso expressivo do off-frame, múltiplas escalas de plano, movimentos de câmera (virtuais), efeitos de focagem, diferentes tipos de conexões, etc. No nível da história, em primeiro lugar, trata-se de contar a ampliação da visão do personagem sobre o mundo ao seu redor. Daí os planos de rastreamento que vão descobrindo gradativamente o cenário e os jogos com o off-frame para a aparência dos animais que encontra. Num nível mais geral, o filme fala sobre a nossa visão dos animais, a forma como nos projetamos na sua consciência ou, pelo contrário, eles permanecem misteriosos para nós. Tal como faria um documentário sobre animais, Ahco na estrada deixa os animais ao seu silêncio e as emoções que lhes proporciona são em grande parte construídas pelos códigos de expressividade cinematográfica utilizados: ritmos, músicas e jogos de focagem dos planos.
Propomos estudar essas construções no filme, em particular o trabalho do enquadramento e dos movimentos de câmera.
1- Indique o objetivo da análise
Podemos iniciar o projeto com uma simples pergunta sobre interpretação. O filme não tem palavras e os animais não são retratados de forma muito expressiva. Então, como entendemos os detalhes da ação, as intenções dos personagens? E como evolui a emoção do espectador? Iremos portanto focar-nos nas ferramentas que permitirão por um lado a compreensão das situações da história contada e por outro lado a criação de uma emoção. Ao tentarmos concentrar-nos nas imagens, podemos começar com uma nova visualização sem som, tendo estas ideias em mente.
2- Apresentar vocabulário cinematográfico
Antes de iniciar o estudo do filme em si, é útil introduzir as noções usuais utilizadas para descrever imagens. Definiremos desta forma:
3-Use as ferramentas em sequências selecionadas do filme
O exercício consiste em pedir às crianças que combinem as imagens do filme e os elementos introduzidos anteriormente, para determinadas sequências escolhidas. Cada sequência é composta por um determinado número de planos que devem ser descritos reaproveitando o vocabulário abordado.
Podem ser convidados a trabalhar em pequenos grupos de 2 ou 3 pessoas em fichas de questionário pré-estabelecidas com fotogramas que ilustram os diferentes planos, ou a participar colectivamente no “recorte” dos planos, discutindo as imagens projectadas. Neste segundo caso, eles próprios podem representar o plano em desenho (em questionários em branco) para traduzir a escala do plano.
Quando o vocabulário não pode ser aplicado com exatidão ou quando hesitam, as crianças são convidadas a notar essa hesitação e o problema que aí surge.
As sequências sugeridas são:
4- Discussão sobre a encenação das sequências
A partir das fichas anteriores, as crianças compararão as suas escolhas e discutirão questões de encenação, ou seja, a escolha de uma determinada técnica em termos de compreensão e expressividade: como é que isto ajuda a compreender melhor o que está a acontecer? que emoção isso provoca? Esta etapa acontece em forma de discussão coletiva, liderada pelo professor.
Neste ponto, pode ser útil lembrar que o vocabulário apresentado foi originalmente concebido para descrever o cinema: personagens humanos, filmados com uma câmera real. Há, portanto, a priori, uma certa inadequação neste filme, um desenho animado que apresenta animais. Em particular, as escalas de planos próximos são feitas para realçar as emoções no rosto, o que encontra um limite no nosso caso. Esta é uma oportunidade para mostrar que as formas e técnicas de uma mídia como o cinema produzem códigos que orientam a interpretação, códigos que são aqui amplamente explorados.
Para discutir a expressividade das cenas, a forma como as emoções são sugeridas nos personagens e no espectador, transmitidas ou em reação a elas, podemos introduzir uma ferramenta adicional. Poderíamos nos perguntar qual é a posição focal em cada plano. De quem é o olhar da imagem? Para simplificar, podemos distinguir dois casos: a imagem pode assim ser enquadrada como se fosse vista por uma testemunha externa à história (foco “externo”), ou pelo contrário, por uma das personagens (foco “subjetivo”). Isso ajudará a compreender melhor os planos onde o medo é sugerido por quadros que são como se fossem vistos por um personagem fora do quadro que ainda não conhecemos espionando o filhote de elefante. Trata-se da construção de uma assimetria de olhar, onde o espectador fica em desvantagem, assim como o personagem. Alguém está olhando para o personagem, prestes a interagir com ele, mas ainda não sabemos quem é.
5- Consolidação de conquistas e expansão
Por fim, as crianças são convidadas a escolher uma das sequências estudadas e a recorrer à memória para citar exemplos de cenas cuja encenação lhes pareça semelhante. Os exemplos citados podem vir do cinema (filme, desenho animado), da televisão (videoclipe, publicidade), dos quadrinhos ou mesmo da literatura. Esse trabalho pode ser dado para eles fazerem em casa, por um período de uma semana, por exemplo. Terão que dar a referência precisa da fonte e descrever a cena em questão, bem como as razões pelas quais perceberam a analogia na encenação. Como pode ser complicado conseguir mostrar fisicamente a sequência, terão que descrevê-la com precisão por escrito, reutilizando assim o vocabulário introduzido.
Folha de atividades escrita por: Bruno Pellier





