Um curta metragem muito lindo sobre o amor materno nos animais.
Acompanhe as aventuras de Ahco, um bebê elefante perdido na floresta e seus encontros felizes ou infelizes com outros animais; o conforto de um lêmure de cauda anelada, o perigo dos crocodilos.
As crianças talvez se projetem nesse personagem comovente, desesperadas com a ideia de terem perdido a mãe.
O curta “Ahco On The Road” foi selecionado para o festival Takorama 2023 organizado pela associação Films pour enfants.
1-Que caminho o bebê elefante segue depois de sair do rebanho?
Ele vai ao acaso, primeiro seguindo a borboleta, depois em reação (atração, medo) aos animais encontrados, depois vagueia procurando o caminho de volta.
2-Que tipo de reunião ele tem? Como ele reage?
Conhece outros animais, cada um com atitudes diferentes (amigável, indiferente, agressivo). Ele é surpreendido por todos, prova tanto de sua inexperiência quanto de curiosidade.
3-Que outras histórias esta traz à mente?
Tom Thumb e contos semelhantes, onde crianças estão perdidas e tentam encontrar seu lar.
4-Como entendemos as emoções do personagem?
Pela semelhança com o que sentiríamos (ou sentimos) na mesma situação.
5-Qual é o papel da música?
A música é expressiva e acompanha a admiração, o espanto, a preocupação ou o pânico do bebê elefante.
6-Vemos o bebê elefante em todas as imagens do filme?
Quase em todos eles.
E quando não o vemos é porque vemos através dos seus olhos. O filme é inteiramente focado nesse personagem.
7-Por que temos medo quando o crocodilo morde o bebê elefante?
Imaginamos como nos sentiríamos.
Atribuímos os mesmos sentimentos que nós ao animal (antropomorfismo).
8-Sabemos como o bebê elefante pensaria na realidade?
Não sabemos ao certo como os elefantes pensam e sentem.
As emoções e pensamentos humanos são compreendidos através da linguagem (verbal, corporal), que aprendemos.
Mas os elefantes não possuem esta linguagem. Só podemos tentar imaginar o que pensam e sentem, por analogia.
Extensões e referências
Enquadramento cinematográfico: análise da linguagem cinematográfica do filme — enquadramento expressivo e focagem.
Para um filme de animação de 8 minutos que conta uma história muito simples, Ahco on the road utiliza um grande número de técnicas de cinema: uso expressivo do off-frame, múltiplas escalas de plano, movimentos de câmera (virtuais), efeitos de foco, diferentes tipos de conexões, etc. No nível da história, em primeiro lugar, trata-se de contar a ampliação da visão do personagem sobre o mundo ao seu redor. Daí os planos de rastreamento que vão descobrindo gradativamente o cenário e os jogos com o off-frame para a aparência dos animais que encontra. Num nível mais geral, o filme fala sobre a nossa visão dos animais, a forma como nos projetamos na sua consciência ou, pelo contrário, eles permanecem misteriosos para nós. Tal como faria um documentário sobre animais, Ahco na estrada deixa os animais no seu silêncio e as emoções que lhes proporciona são construídas em grande parte pelos códigos de expressividade cinematográfica utilizados: ritmos, música e jogos de focagem dos planos.
Propomos estudar essas construções no filme, em particular o trabalho do enquadramento e dos movimentos de câmera.
1- Indique o objetivo da análise
Podemos iniciar o projeto com uma simples pergunta sobre interpretação. O filme não tem palavras e os animais não são retratados de forma muito expressiva. Então, como entendemos os detalhes da ação, as intenções dos personagens? E como evolui a emoção do espectador? Iremos portanto focar-nos nas ferramentas que permitirão por um lado a compreensão das situações da história contada e por outro lado a criação de uma emoção.
À medida que procuramos nos concentrar nas imagens, podemos iniciar uma nova visualização sem som.
2- Apresente o vocabulário do cinema
Antes de iniciar o estudo do filme em si, é útil introduzir as noções usuais utilizadas para descrever imagens. Definiremos desta forma:
- O quadro, como recorte (escolha) no que queremos mostrar, bem como o fora de quadro, o que é sugerido mas não é mostrado no quadro. Podemos fazer analogias com a pintura, a fotografia, o desenho.
- O plano como unidade temporal do filme e como “quadro que persiste durante um certo período” (não precisamos abordar questões de conexão e edição).
- As diferentes escalas do plano (plano geral, plano geral, plano médio, plano americano, close-up, close-up, muito close-up), correspondendo cada escala a uma determinada relação entre o cenário e os personagens, que joga com a compreensão e expressividade do que é mostrado.
- Posições e movimentos da câmera (viagem, panorâmica, zoom, ângulo alto/baixo) como forma de preservar ou evoluir um determinado quadro, de introduzir um sentimento particular.
- Algumas figuras de montagem usados no filme: plano/plano reverso (alternância de duas vistas em direções opostas permitindo a comparação de dois pontos de vista) e dissolver (usado aqui principalmente como uma elipse).
3- Use as ferramentas em sequências selecionadas do filme
Peça às crianças que combinem as imagens do filme com os elementos apresentados anteriormente. Cada sequência é composta por um determinado número de planos que devem ser descritos reaproveitando o vocabulário abordado.
As sequências sugeridas são:
- Sequência de introdução do personagem (0'00'' - 0'35'' - 6 planos).
- A deambulação pela selva e o aparecimento do lêmure (1’40’’ – 2’25 – 12 tiros).
- O despertar e a viagem (4’03”-4’49 – 5 tiros).
- O reencontro fracassado (5’16-5’37 – 4 tiros).
- O ataque do crocodilo (5’34-6’38” – 20 tiros).
- O voo em frente até à queda da falésia (6’39-7’04 – 12 disparos).
4- Discussão sobre a encenação das sequências
As crianças compararão as suas escolhas e discutirão questões de encenação, ou seja, a escolha de uma determinada técnica em termos de compreensão e expressividade: como é que isto ajuda a compreender melhor o que está a acontecer? que emoção isso provoca? Esta etapa ocorre na forma de uma discussão coletiva.
Neste ponto, pode ser útil lembrar que o vocabulário apresentado foi originalmente concebido para descrever o cinema: personagens humanos, filmados com uma câmera real. Há, portanto, a priori, uma certa inadequação neste filme, um desenho animado que apresenta animais. Em particular, as escalas de planos próximos são feitas para realçar as emoções no rosto, o que encontra um limite no nosso caso. Esta é uma oportunidade para mostrar que as formas e técnicas de uma mídia como o cinema produzem códigos que orientam a interpretação.
Para discutir a expressividade das cenas, a forma como as emoções são sugeridas nos personagens e no espectador, transmitidas ou em reação a elas, podemos introduzir uma ferramenta adicional. Poderíamos nos perguntar qual é a posição focal em cada plano. De quem é o olhar da imagem? Para simplificar, podemos distinguir dois casos: a imagem pode assim ser enquadrada como se fosse vista por uma testemunha externa à história (foco “externo”), ou, pelo contrário, por uma das personagens (foco “subjetivo”). Isso ajudará a compreender melhor os planos onde o medo é sugerido por quadros que são como se fossem vistos por um personagem fora do quadro que ainda não conhecemos espionando o filhote de elefante.
Trata-se da construção de uma assimetria de olhar, onde o espectador fica em desvantagem, assim como o personagem. Alguém está olhando para o personagem, prestes a interagir com ele, mas ainda não sabemos quem é.
Atividades educativas oferecidas por Bruno Pellier, Christophe e Olivier Defaye.
Criadas com o apoio do Ministério da Educação Nacional da França e do CNC.
Assistir ao filme em família, atividades pedagógicas com os pais em casa e com os professores em sala de aula.