Atividade educativa em torno do curta-metragem Wings and oars
Produzir escrita variada apropriando-se das diferentes dimensões da atividade escrita.
Reescreva com base em novas instruções ou evolua seu texto.
Domine a forma das palavras em relação à sintaxe.

Wings and oars © Lunohod
TítuloWings and oars
TemaMemória
Gênero e palavras-chaveSurreal, infância, memória, barco, avião, mar, rio
Idade (para filme)9-11 anos
Duração05 min 52 s
RealizaçãoVladimir Leschiov
MúsicaP. Y. Drapeau & N. Roger
ProduçãoLunohod (Letônia, 2009)
Manipule a autoescrita no pretérito.
Em Asas e Remos, a nostalgia surge da comparação entre a vida do jovem como aviador, livre e leve, e a sua situação de homem maduro, feito de apegos e imobilidade. Parece ser a marca do olhar externo e desapegado, um tanto triste, que temos sobre nós mesmos com a idade. Mas, ao mesmo tempo, todas as imagens do personagem e das pessoas ao seu redor são semelhantes. Ecoam, cavam nos mesmos sulcos, como se o personagem fosse um prisioneiro, incapaz de escapar de si mesmo. Este é o desafio de toda autoescrita: refazer ou reinventar.
Na literatura, esta questão surge de forma particularmente aguda para o gênero da elegia. Tradicionalmente poesia de lamento, de tristeza amorosa, de luto, explora desde as origens latinas o lugar do “eu” no texto. Mais perto de nós, o poeta Emmanuel Hocquard (1940-2019) renovou a reflexão sobre o significado deste género poético ao defender uma elegia livre de autoencenação e do teatro do pathos. Esta escrita do passado é meditativa e lúdica ao mesmo tempo. Incentiva você a jogar mais jogos, a experimentar os limites do seu próprio idioma. E, como ele mesmo diz (retomando o filósofo L. Wittgenstein), não é necessário esperar até ficar velho para fazer esse trabalho, é preciso escrever “da sua própria altura”.
Nesta atividade propomos um exercício de escrita que nos permite manipular os elementos da elegia (memória, emoção, o eu) para ver o que isso implica como uma experiência diferente da frase. E vice-versa: como diferentes formas de frases levam a diferentes experiências de emoção, memória e de si mesmo. O exercício não parte de um estudo geral da elegia, mas de um texto que apresenta uma versão moderna e é hoje considerado um clássico. É Lembro-me, de Georges Perec (publicado em 1978). Este texto é exemplar no que diz respeito à questão que nos propomos explorar, porque utiliza um artifício muito simples na primeira pessoa sem realçar a intimidade do autor. É um retrato coletivo, de uma geração.
A atividade acontece em três fases sucessivas de escrita e reflexão sobre os textos produzidos, após rápida apresentação do texto de Georges Perec e leitura de trechos. “Eu me lembro” Isto envolve crianças escrevendo memórias no estilo do texto de Perec. Deixando-se guiar pela memória e pelas emoções, escolhem cerca de dez memórias (boas ou más, recentes ou antigas, precisas ou muito vagas) e colocam-nas no papel, começando com a mesma fórmula do texto de Perec. Não existem outras instruções (sem ordem de memórias, sem restrições de comprimento, etc.) e é importante dizer-lhes que essas memórias não serão partilhadas com os seus colegas. Por outro lado, serão convidados a “aperfeiçoar” o seu texto com o objetivo de o publicar, num único exemplar, para eles. As crianças escolhem como interpretar esta palavra. Podem pedir ajuda para corrigir erros, podem decidir simplificar ou detalhar, tornar mais claro, etc. No final desta fase, entregam o texto ao professor que produzirá uma versão limpa e impressa, para lhes entregar na próxima sessão. Deve-se notar que as crianças podem muito bem optar por falar sobre a ausência de memória (por exemplo, “não me lembro dos brinquedos do meu primeiro Natal”).
“Você se lembra” Nesta segunda fase, e depois de descobrirem a sua versão pessoal “editada”, as crianças voltam ao seu texto e terão que transcrevê-lo, desta vez de uma forma um pouco mais restrita. Das 10 memórias, eles escolhem 3 e as escrevem como se estivessem escrevendo uma carta para
eles mesmos. Eles devem usar apenas o pronome “você” e começar cada memória com “Você se lembra” (ou “Você não se lembra”). Nesta fase, poderão (e provavelmente terão de) recortar, alterar alguns detalhes, pois cada memória terá desta vez que caber em 60 palavras (aproximadamente) para duas frases no máximo e os textos também serão mostrados a toda a turma. A professora recolhe os textos e coloca-os em forma de cartaz para cada criança, em preparação para a última sessão.
“Eu também me lembro” Na terceira fase, o professor expõe os textos e todos vêm descobri-los. Escrever agora consiste em escolher coletivamente, por meio de discussão, cerca de dez lembranças, para depois reescrevê-las uma a uma, sempre coletivamente, na primeira pessoa (“Lembro-me”). Ainda podem ser feitas modificações para melhorar a legibilidade, mas as referências pessoais (eventos de pessoas, etc.) não são explicadas. As memórias são então ordenadas, de acordo com todos os critérios que o grupo julgar necessários, para finalizar a composição deste poema coletivo, que também será publicado e distribuído às crianças.
O significado desta progressão em três fases é experimentar de forma concreta, através da linguagem, um distanciamento cada vez maior do envolvimento subjetivo típico deste tipo de exercício. No final, a emoção está lá, mas não é mais complacente ou teatralizada, exatamente como no texto de Georges Perec.
Folha de atividades escrita por: Bruno Pellier

